domingo, 29 de abril de 2012

Era uma vez...


Da minha vida decidiu sair
Dos meus planos decidiu não fazer mais parte
Sem problemas. Eu disse querendo cair.
Sobreviver sem você é minha arte
Na lista telefônica do celular não encontro
Nas redes sociais não procuro
Com meu alter ego vivo em constante confronto
Por mais que ele faça me sentir seguro
Três noites. Três sonhos. Você e eu.
Em cada um deles posso me sentir mais próximo
Será um sinal que a vida concedeu?
Bom? Melhor? Claro. Estou ótimo.
Quero estar com você, mas não junto.
Só quero estar com você.
Confabular sobre a vida. Sobre o nosso mundo.
Mas não é assim que deve ser.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Enquanto puder correr


Desespero. Corra. Não tropique.
Seus passos não vão alcançar a glória.
Cheire. Trague. Bafore. Aplique.
Meu querido, esse não é o corredor da vitória.
Venha. Acompanhe-me. Está chegando.
O vulto negro não pode ganhar.
Doendo. Sofrendo. Apunhalando.
Você já sabe onde esse caminho vai dar.
O mercado negro quer sua alma
Droga ilícita. Marginalização. Imperícia.
Assine o contrato. Me entregue com calma.
Não adianta dizer que foi sem malícia.

Reflexo


Algo me incomoda ao olhar no espelho
Um olhar vazio. Infinito de vazio.
Tento virar sem me importar em torcer o joelho
Buscando esperança. Um céu azul anil.
Escuridão. Uma tempestade de desilusões.
Sem nenhuma fresta de luz pra me guiar
Um mundo cinzento cheio de más intenções
Caminho tortuoso em que busquei caminhar
Compressa de água morna. Quero ouvir.
Pessoas praguejando. Desejando sorte.
O coração parece sufocar no grito. Contenta-se em grunhir.
Tanto esforço pra no final garantir o leito de morte
Basta viver para morrer
A única certeza que a vida nos garante
Dos desafios eu não vou correr
Caiu. Levantou. Seguiu. Avante.
Deparo-me com o espelho de que tanto fugi
Encaro aqueles olhos vazios
Um sorriso torto. Não pode me atingir.
Vim cobrar meu céu azul anil.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Reino de Glasgow


Hey! Garoto das pernas tortas e de feição vazia
Psiu! Aproxima-se em passos rápidos de preá
Canta em seu canto a cantiga de harmonia
Voa João-de-barro de Camaquã a Poá
Brisa boa, vida longa e alegria exuberante.
Saltita em paralelepípedos de cor turquesa
Sorriso arreganhado de teor extravagante
Coroado! Venha transitar em meio à nobreza
Triplica a pacacidade no reino de ninguém
Levanta a bandeira em um emaranhado sem razão
HIP, HIP, URRA! Transcendeu a alguém
Lembra-me bem um jaburu de bom coração.

domingo, 1 de abril de 2012

Desenvoltura


Hipoteticamente falando de viagens lunares
Cannabis plantada em terreno argiloso
A mente propaga em anos luz estrelares
Um rango legal com um molho viscoso
Olhos trincados e risadas escandalosas
Neurônios a mil dançando em alta
Caminho arrastando meus pés em partículas arenosas
Diversão garantida sem princípios e nem pauta
Felicidade instantânea no coração esplendoroso
A festa de um com barulho de tantos
Não temos regras. Não é nada rigoroso.
Deposite aqui seus problemas em prantos
Esqueça tudo aquilo que te faz sofrer
Uma cabana de madeira cubana nas montanhas
Aprenda com a tristeza para que com ela traga alegria de viver
Não deixe que entrem pessoas estranhas.

O realista


Não se sinta excluído por motivos óbvios
Em uma sociedade apodrecida pelo seu ego
Continue aprendendo com desafios novos
Nem tudo se encaixa como um brinquedo de lego
Olhe-se no espelho. Reflete o narcisismo.
Completamente atordoado pelo consciente
Deixe tudo isso de lado. Pratique o altruísmo.
Procure a união espiritual que seja vigente
Toda e qualquer diferença não é bem-vinda
Igualdade e liberdade escondidas atrás da inércia
Exaltando o nome da esperança ainda?
Mais claro e certo que o miar da gata Mia.

Adios Esteban!


Não me sinto mais a vontade
Sem o corpo, a alma e a mente.
Talvez a magia tenha passado sem saudades
Corrompido por esse pensamento doente
Guardo tudo aquilo que marcou
Todo brilhantismo e consideração
Canções que para muitos inovou
Mas larguem do meu pé, deixem de marcação.
Há quanto tempo não me comunico assim?
Um maço de cigarros, um papel e a caneta.
O meu coração voltou a bater por mim
Retiro papéis amassados da minha antiga gaveta
Liguem-me! Que a relação seja como antes.
Ainda preciso desse calor. Desse afeto.
Não somos os mesmos companheiros andantes
Mas ainda somos companheiros. Correto?

sexta-feira, 23 de março de 2012

Divagando


Estou cansado de esperar um futuro sem futuro
Um sorriso amarelo sem qualquer inspiração
Talvez eu seja mesmo esse rapaz todo inseguro
Que vive a vida nos timbres dessa canção
Despretensioso a passos curtos eu vou seguindo
Um lugar é um lugar e eu sigo a divagar
E cada vez mais desse mundo eu vou sumindo
Alucinado, livre e solto sem sequer amar.
O destino não é segredo pra ninguém
Ele é tudo que você traça na sua vida
Eu juro que espero encontrar esse alguém
Mas não troco o meu caminhar por uma corrida.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Homem duplo


Alucinações de um inverno passado
Calafrios por toda medula espinhal
Um mergulho no rio congelado
Minha relação com você não passa de carnal               
A madeira arde em chamas na lareira
Meu corpo cobre o seu nesse frio polar
Das janelas fico fitando a clareira
O sangue bomba rápido em sua jugular
Mas que desejo descomunal me toma conta
A loucura novamente está à tona
Pertenço à mesma ordem carnívora da lontra
Completamente psicopata no Arizona
O que faço com esse corpo tão perfeito
Ó Grand Canyon, mas que vista proporciona
Não faço a mínima ideia de quem é o sujeito
Sigo andando onde meu nariz posiciona.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Caso perdido?


Pirou. Pobre jovem esquizofrênico
Alienado. Fugindo de quem nunca existiu
Albino alto, porém, anêmico
Alucinógeno de quem te serviu
Química barata que entra na mente
Está cravada a estaca da perdição
Menino novo com destino de delinqüente
O olhar julgador de toda uma nação
Somos todos iguais em formatos diferentes
Procuro a salvação de quem não quer ser salvo
Talvez se não fossem tão divergentes
A lança, afinal, busca o mesmo alvo
Por que não ensinar o caminho?
Não acredito em causa perdida
Todos precisam de preocupação e carinho
Dê um pouco mais de valor na vida.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Apenas um sonho


Alegria de um garoto alegre de meia idade
Com amigos imaginários e algumas alucinações
Não me preocupo muito com minha identidade
Sou uma criança num parque de diversões
Vejo duendes com seus batuques artesanais
O milho pulando e estourando a pipoca
Todas as pessoas de outro mundo são banais
Venha viver comigo em minha humilde oca
Mesmo com os olhos pesados você não vai dormir
Eles estão vermelhos, mas não vão arder
O pré-requisito é apenas sentir
É como se estivesse prestes a nascer
Vivemos num mundo que construímos
Descemos as maiores e mais assustadoras cachoeiras
O nosso trem segue apenas nossos trilhos
Fagulhas fazem então arder às maiores fogueiras.

Não posso conviver com o fim


Você pode sentir meus batimentos?
Se eu gritar bem alto você vai me ouvir?
Não sei como expressar todos esses sentimentos
Meus olhos não querem ver você partir
Eu não posso e nem quero largar sua mão
Mas sinto seus dedos escorregarem por entre os meus
Sinto quebrar o laço inquebrável. Qual é a sensação?
Mesmo em passos longos não consigo alcançar os seus
É como apagar a luz e caminhar no escuro
Eu não quero cair pra não me machucar
É preciso unir forças pra derrubar esse muro
Eu só quero ser um guerreiro pra poder lutar
A alma está saindo do meu corpo
De longe posso enxergar ela alçando vôo
Mas de quem é esse espírito de porco?
O corpo padece e eu sinto enjôo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fim do diálogo


Caminho em passos curtos até o meu destino
De longe posso contar degrau por degrau
Engulo o choro diferente de um menino
Todos os versos tornam-se algo banal
A luz do sol reflete nas gotas cristalinas
Piso e escuto o ranger da madeira molhada
Um grito agonizante por água abaixo das latrinas
Desliguei o coração na sua última chamada
A corda parece um tanto quão pesada
Também pudera depois da chuva que caiu
Não estou conseguindo completar minha jornada
Mesmo escadas abaixo podem ver quem surgiu
Demorou sim, mas no topo agora estou
Podem afrouxar um pouco essa corda?
Da cabeça ao pescoço o nó escorregou
Meu último desejo seria uma colherada de açorda
Um diálogo com quem conheço melhor do que ninguém
A melhor e mais longa conversa em que participei
Mesmo assim tenho dúvidas de quem é esse alguém
O som do pescoço quebrando eu não escutei.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Saudosa raiz.


Mas que sorriso tão radiante, talvez até empolgante
Lembra-me as melhores lembranças que estão frescas
Não é apenas um guia do mochileiro viajante
Como eu gosto de todas essas frescuras carnavalescas
Não tenho a menor idéia de quando voltar
Apesar de o coração não arredar o pé
A alma e a mente estão a rodar
Um trago forte e mais um gole de café
Sete quedas de pura ousadia e alegria
Faço a mente pra que lá empaque
Guarde um pouco dessa magia
Mas como vou sentir falta desse sotaque.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Não é o que parece


Cá estou, mais um dia sem ver o sol
Nenhuma fresta de luz posso achar
O cheiro da derrota exala mais forte que formol
Sou eu e mais eu nesse estranho lugar
Não tenho mais forças pra te conquistar
Antes uma batalha que uma guerra em vão
Entrego meus dados, pois não quero mais jogar
Minha armadura despedaçou ao cair no chão
Perco-me entre sonhos e realidade
Não encontro mais o caminho de volta
Parece que vivi muitos anos. Cadê minha jovialidade?
Basta! Tomo um copo de café e de lado deixo essa revolta.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fé e determinação


Bromélias murchas em terreno arenoso
Descalça com os pés rachados
Não creio num castigo impiedoso
Na caminhada de fé em busca do contrariado
Correndo em busca do fim do arco-íris
Um pote de ouro e duendes sapateando
Vá com pressa minha querida Ísis
Leve como uma pena que parece estar levitando
Que a fadiga não venha te derrubar
Que a seca não venha te desanimar
De modo algum venha a  praguejar
A recompensa virá, basta crer e esperar..

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Eu não fui nada pra você


Quão agonizante é flutuar em pensamentos?
Não consigo passar todas essas memórias para o papel
Estou preso nas grades de meus sentimentos
E não importa quanto eu tente, não consigo parar esse carrossel
Já virou rotina essa saudade que em meu coração fez nascer
Tantas são as noites mal dormidas. Sempre o incompreendido.
Isso já saiu do controle, não está mais em meu poder
Não posso mais lutar contra isso. Sinto que fui vencido.
Prefiro a escuridão a seus olhos nunca mais ver
Perder a audição a nunca mais te ouvir
Posso perder tudo, por mais que isso me faça sofrer
Por mais fundo o abismo em que eu venha a cair
Prefiro os dedos perder a nunca mais te dar carinho
Perder o paladar a seus lábios nunca mais tocar
Eu agüento viver o resto da minha vida sozinho
Contanto que o meu coração ainda venha a te amar.

domingo, 27 de novembro de 2011

Das próprias cinzas


Tu foste quem sempre sonhou ser?
Venceste mais que perdeste?
Ainda que morto você possa viver
Que imagem associa para com este?
A Fênix que entra em autocombustão
Mas que das cinzas renasce e brilha
As glórias jamais te abandonaram
Por mais cercado de água que esteja sua ilha
Ainda que tenha motivos para desistir
Mesmo que de sua garra venham a duvidar
Sua muralha, por mais frágil, não vai cair
Pois não estás acostumado a perder, mas sim a ganhar.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Sete palmos


Parei de esbofetear ponta de faca
Tanta água foi desperdiçada
Nessa tentativa falha de furar uma pedra fraca
Um dia você já foi mais cobiçada
Hoje eu arranquei um pedaço do meu coração
Guardei em uma caixa vazia e enterrei
Para que nunca mais exista paixão
Essa vida de sofrimento eu deixei
Agora ele não tem como bater
Tudo de bom que já existiu, agora não existe
Meus olhos cegos já não podem te ver
Já falei que não sou mais o bobo que persiste?

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Cárcere


Preso como um animal asqueroso
Tire as correntes e solte os meus pulsos
Não tenho nenhum tipo de sintoma nervoso
Não vou te atacar como um bando de ursos
Eu só quero essa liberdade prometida
Ver o sol nascer e refletir o mar
Não quero saber quem da massa vai ser atingida
Quero andar com meus passos de volta ao meu lar
O verde que contagia e o azul que renova
Usufruir da natureza que é minha e sua
É só mais um obstáculo posto a prova
Caminho de novo sob o brilho da lua.