segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fim do diálogo


Caminho em passos curtos até o meu destino
De longe posso contar degrau por degrau
Engulo o choro diferente de um menino
Todos os versos tornam-se algo banal
A luz do sol reflete nas gotas cristalinas
Piso e escuto o ranger da madeira molhada
Um grito agonizante por água abaixo das latrinas
Desliguei o coração na sua última chamada
A corda parece um tanto quão pesada
Também pudera depois da chuva que caiu
Não estou conseguindo completar minha jornada
Mesmo escadas abaixo podem ver quem surgiu
Demorou sim, mas no topo agora estou
Podem afrouxar um pouco essa corda?
Da cabeça ao pescoço o nó escorregou
Meu último desejo seria uma colherada de açorda
Um diálogo com quem conheço melhor do que ninguém
A melhor e mais longa conversa em que participei
Mesmo assim tenho dúvidas de quem é esse alguém
O som do pescoço quebrando eu não escutei.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Saudosa raiz.


Mas que sorriso tão radiante, talvez até empolgante
Lembra-me as melhores lembranças que estão frescas
Não é apenas um guia do mochileiro viajante
Como eu gosto de todas essas frescuras carnavalescas
Não tenho a menor idéia de quando voltar
Apesar de o coração não arredar o pé
A alma e a mente estão a rodar
Um trago forte e mais um gole de café
Sete quedas de pura ousadia e alegria
Faço a mente pra que lá empaque
Guarde um pouco dessa magia
Mas como vou sentir falta desse sotaque.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Não é o que parece


Cá estou, mais um dia sem ver o sol
Nenhuma fresta de luz posso achar
O cheiro da derrota exala mais forte que formol
Sou eu e mais eu nesse estranho lugar
Não tenho mais forças pra te conquistar
Antes uma batalha que uma guerra em vão
Entrego meus dados, pois não quero mais jogar
Minha armadura despedaçou ao cair no chão
Perco-me entre sonhos e realidade
Não encontro mais o caminho de volta
Parece que vivi muitos anos. Cadê minha jovialidade?
Basta! Tomo um copo de café e de lado deixo essa revolta.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fé e determinação


Bromélias murchas em terreno arenoso
Descalça com os pés rachados
Não creio num castigo impiedoso
Na caminhada de fé em busca do contrariado
Correndo em busca do fim do arco-íris
Um pote de ouro e duendes sapateando
Vá com pressa minha querida Ísis
Leve como uma pena que parece estar levitando
Que a fadiga não venha te derrubar
Que a seca não venha te desanimar
De modo algum venha a  praguejar
A recompensa virá, basta crer e esperar..

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Eu não fui nada pra você


Quão agonizante é flutuar em pensamentos?
Não consigo passar todas essas memórias para o papel
Estou preso nas grades de meus sentimentos
E não importa quanto eu tente, não consigo parar esse carrossel
Já virou rotina essa saudade que em meu coração fez nascer
Tantas são as noites mal dormidas. Sempre o incompreendido.
Isso já saiu do controle, não está mais em meu poder
Não posso mais lutar contra isso. Sinto que fui vencido.
Prefiro a escuridão a seus olhos nunca mais ver
Perder a audição a nunca mais te ouvir
Posso perder tudo, por mais que isso me faça sofrer
Por mais fundo o abismo em que eu venha a cair
Prefiro os dedos perder a nunca mais te dar carinho
Perder o paladar a seus lábios nunca mais tocar
Eu agüento viver o resto da minha vida sozinho
Contanto que o meu coração ainda venha a te amar.

domingo, 27 de novembro de 2011

Das próprias cinzas


Tu foste quem sempre sonhou ser?
Venceste mais que perdeste?
Ainda que morto você possa viver
Que imagem associa para com este?
A Fênix que entra em autocombustão
Mas que das cinzas renasce e brilha
As glórias jamais te abandonaram
Por mais cercado de água que esteja sua ilha
Ainda que tenha motivos para desistir
Mesmo que de sua garra venham a duvidar
Sua muralha, por mais frágil, não vai cair
Pois não estás acostumado a perder, mas sim a ganhar.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Sete palmos


Parei de esbofetear ponta de faca
Tanta água foi desperdiçada
Nessa tentativa falha de furar uma pedra fraca
Um dia você já foi mais cobiçada
Hoje eu arranquei um pedaço do meu coração
Guardei em uma caixa vazia e enterrei
Para que nunca mais exista paixão
Essa vida de sofrimento eu deixei
Agora ele não tem como bater
Tudo de bom que já existiu, agora não existe
Meus olhos cegos já não podem te ver
Já falei que não sou mais o bobo que persiste?