segunda-feira, 16 de abril de 2012

Reflexo


Algo me incomoda ao olhar no espelho
Um olhar vazio. Infinito de vazio.
Tento virar sem me importar em torcer o joelho
Buscando esperança. Um céu azul anil.
Escuridão. Uma tempestade de desilusões.
Sem nenhuma fresta de luz pra me guiar
Um mundo cinzento cheio de más intenções
Caminho tortuoso em que busquei caminhar
Compressa de água morna. Quero ouvir.
Pessoas praguejando. Desejando sorte.
O coração parece sufocar no grito. Contenta-se em grunhir.
Tanto esforço pra no final garantir o leito de morte
Basta viver para morrer
A única certeza que a vida nos garante
Dos desafios eu não vou correr
Caiu. Levantou. Seguiu. Avante.
Deparo-me com o espelho de que tanto fugi
Encaro aqueles olhos vazios
Um sorriso torto. Não pode me atingir.
Vim cobrar meu céu azul anil.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Reino de Glasgow


Hey! Garoto das pernas tortas e de feição vazia
Psiu! Aproxima-se em passos rápidos de preá
Canta em seu canto a cantiga de harmonia
Voa João-de-barro de Camaquã a Poá
Brisa boa, vida longa e alegria exuberante.
Saltita em paralelepípedos de cor turquesa
Sorriso arreganhado de teor extravagante
Coroado! Venha transitar em meio à nobreza
Triplica a pacacidade no reino de ninguém
Levanta a bandeira em um emaranhado sem razão
HIP, HIP, URRA! Transcendeu a alguém
Lembra-me bem um jaburu de bom coração.

domingo, 1 de abril de 2012

Desenvoltura


Hipoteticamente falando de viagens lunares
Cannabis plantada em terreno argiloso
A mente propaga em anos luz estrelares
Um rango legal com um molho viscoso
Olhos trincados e risadas escandalosas
Neurônios a mil dançando em alta
Caminho arrastando meus pés em partículas arenosas
Diversão garantida sem princípios e nem pauta
Felicidade instantânea no coração esplendoroso
A festa de um com barulho de tantos
Não temos regras. Não é nada rigoroso.
Deposite aqui seus problemas em prantos
Esqueça tudo aquilo que te faz sofrer
Uma cabana de madeira cubana nas montanhas
Aprenda com a tristeza para que com ela traga alegria de viver
Não deixe que entrem pessoas estranhas.

O realista


Não se sinta excluído por motivos óbvios
Em uma sociedade apodrecida pelo seu ego
Continue aprendendo com desafios novos
Nem tudo se encaixa como um brinquedo de lego
Olhe-se no espelho. Reflete o narcisismo.
Completamente atordoado pelo consciente
Deixe tudo isso de lado. Pratique o altruísmo.
Procure a união espiritual que seja vigente
Toda e qualquer diferença não é bem-vinda
Igualdade e liberdade escondidas atrás da inércia
Exaltando o nome da esperança ainda?
Mais claro e certo que o miar da gata Mia.

Adios Esteban!


Não me sinto mais a vontade
Sem o corpo, a alma e a mente.
Talvez a magia tenha passado sem saudades
Corrompido por esse pensamento doente
Guardo tudo aquilo que marcou
Todo brilhantismo e consideração
Canções que para muitos inovou
Mas larguem do meu pé, deixem de marcação.
Há quanto tempo não me comunico assim?
Um maço de cigarros, um papel e a caneta.
O meu coração voltou a bater por mim
Retiro papéis amassados da minha antiga gaveta
Liguem-me! Que a relação seja como antes.
Ainda preciso desse calor. Desse afeto.
Não somos os mesmos companheiros andantes
Mas ainda somos companheiros. Correto?

sexta-feira, 23 de março de 2012

Divagando


Estou cansado de esperar um futuro sem futuro
Um sorriso amarelo sem qualquer inspiração
Talvez eu seja mesmo esse rapaz todo inseguro
Que vive a vida nos timbres dessa canção
Despretensioso a passos curtos eu vou seguindo
Um lugar é um lugar e eu sigo a divagar
E cada vez mais desse mundo eu vou sumindo
Alucinado, livre e solto sem sequer amar.
O destino não é segredo pra ninguém
Ele é tudo que você traça na sua vida
Eu juro que espero encontrar esse alguém
Mas não troco o meu caminhar por uma corrida.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Homem duplo


Alucinações de um inverno passado
Calafrios por toda medula espinhal
Um mergulho no rio congelado
Minha relação com você não passa de carnal               
A madeira arde em chamas na lareira
Meu corpo cobre o seu nesse frio polar
Das janelas fico fitando a clareira
O sangue bomba rápido em sua jugular
Mas que desejo descomunal me toma conta
A loucura novamente está à tona
Pertenço à mesma ordem carnívora da lontra
Completamente psicopata no Arizona
O que faço com esse corpo tão perfeito
Ó Grand Canyon, mas que vista proporciona
Não faço a mínima ideia de quem é o sujeito
Sigo andando onde meu nariz posiciona.