domingo, 1 de abril de 2012

O realista


Não se sinta excluído por motivos óbvios
Em uma sociedade apodrecida pelo seu ego
Continue aprendendo com desafios novos
Nem tudo se encaixa como um brinquedo de lego
Olhe-se no espelho. Reflete o narcisismo.
Completamente atordoado pelo consciente
Deixe tudo isso de lado. Pratique o altruísmo.
Procure a união espiritual que seja vigente
Toda e qualquer diferença não é bem-vinda
Igualdade e liberdade escondidas atrás da inércia
Exaltando o nome da esperança ainda?
Mais claro e certo que o miar da gata Mia.

Adios Esteban!


Não me sinto mais a vontade
Sem o corpo, a alma e a mente.
Talvez a magia tenha passado sem saudades
Corrompido por esse pensamento doente
Guardo tudo aquilo que marcou
Todo brilhantismo e consideração
Canções que para muitos inovou
Mas larguem do meu pé, deixem de marcação.
Há quanto tempo não me comunico assim?
Um maço de cigarros, um papel e a caneta.
O meu coração voltou a bater por mim
Retiro papéis amassados da minha antiga gaveta
Liguem-me! Que a relação seja como antes.
Ainda preciso desse calor. Desse afeto.
Não somos os mesmos companheiros andantes
Mas ainda somos companheiros. Correto?

sexta-feira, 23 de março de 2012

Divagando


Estou cansado de esperar um futuro sem futuro
Um sorriso amarelo sem qualquer inspiração
Talvez eu seja mesmo esse rapaz todo inseguro
Que vive a vida nos timbres dessa canção
Despretensioso a passos curtos eu vou seguindo
Um lugar é um lugar e eu sigo a divagar
E cada vez mais desse mundo eu vou sumindo
Alucinado, livre e solto sem sequer amar.
O destino não é segredo pra ninguém
Ele é tudo que você traça na sua vida
Eu juro que espero encontrar esse alguém
Mas não troco o meu caminhar por uma corrida.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Homem duplo


Alucinações de um inverno passado
Calafrios por toda medula espinhal
Um mergulho no rio congelado
Minha relação com você não passa de carnal               
A madeira arde em chamas na lareira
Meu corpo cobre o seu nesse frio polar
Das janelas fico fitando a clareira
O sangue bomba rápido em sua jugular
Mas que desejo descomunal me toma conta
A loucura novamente está à tona
Pertenço à mesma ordem carnívora da lontra
Completamente psicopata no Arizona
O que faço com esse corpo tão perfeito
Ó Grand Canyon, mas que vista proporciona
Não faço a mínima ideia de quem é o sujeito
Sigo andando onde meu nariz posiciona.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Caso perdido?


Pirou. Pobre jovem esquizofrênico
Alienado. Fugindo de quem nunca existiu
Albino alto, porém, anêmico
Alucinógeno de quem te serviu
Química barata que entra na mente
Está cravada a estaca da perdição
Menino novo com destino de delinqüente
O olhar julgador de toda uma nação
Somos todos iguais em formatos diferentes
Procuro a salvação de quem não quer ser salvo
Talvez se não fossem tão divergentes
A lança, afinal, busca o mesmo alvo
Por que não ensinar o caminho?
Não acredito em causa perdida
Todos precisam de preocupação e carinho
Dê um pouco mais de valor na vida.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Apenas um sonho


Alegria de um garoto alegre de meia idade
Com amigos imaginários e algumas alucinações
Não me preocupo muito com minha identidade
Sou uma criança num parque de diversões
Vejo duendes com seus batuques artesanais
O milho pulando e estourando a pipoca
Todas as pessoas de outro mundo são banais
Venha viver comigo em minha humilde oca
Mesmo com os olhos pesados você não vai dormir
Eles estão vermelhos, mas não vão arder
O pré-requisito é apenas sentir
É como se estivesse prestes a nascer
Vivemos num mundo que construímos
Descemos as maiores e mais assustadoras cachoeiras
O nosso trem segue apenas nossos trilhos
Fagulhas fazem então arder às maiores fogueiras.

Não posso conviver com o fim


Você pode sentir meus batimentos?
Se eu gritar bem alto você vai me ouvir?
Não sei como expressar todos esses sentimentos
Meus olhos não querem ver você partir
Eu não posso e nem quero largar sua mão
Mas sinto seus dedos escorregarem por entre os meus
Sinto quebrar o laço inquebrável. Qual é a sensação?
Mesmo em passos longos não consigo alcançar os seus
É como apagar a luz e caminhar no escuro
Eu não quero cair pra não me machucar
É preciso unir forças pra derrubar esse muro
Eu só quero ser um guerreiro pra poder lutar
A alma está saindo do meu corpo
De longe posso enxergar ela alçando vôo
Mas de quem é esse espírito de porco?
O corpo padece e eu sinto enjôo.