sexta-feira, 23 de março de 2012

Divagando


Estou cansado de esperar um futuro sem futuro
Um sorriso amarelo sem qualquer inspiração
Talvez eu seja mesmo esse rapaz todo inseguro
Que vive a vida nos timbres dessa canção
Despretensioso a passos curtos eu vou seguindo
Um lugar é um lugar e eu sigo a divagar
E cada vez mais desse mundo eu vou sumindo
Alucinado, livre e solto sem sequer amar.
O destino não é segredo pra ninguém
Ele é tudo que você traça na sua vida
Eu juro que espero encontrar esse alguém
Mas não troco o meu caminhar por uma corrida.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Homem duplo


Alucinações de um inverno passado
Calafrios por toda medula espinhal
Um mergulho no rio congelado
Minha relação com você não passa de carnal               
A madeira arde em chamas na lareira
Meu corpo cobre o seu nesse frio polar
Das janelas fico fitando a clareira
O sangue bomba rápido em sua jugular
Mas que desejo descomunal me toma conta
A loucura novamente está à tona
Pertenço à mesma ordem carnívora da lontra
Completamente psicopata no Arizona
O que faço com esse corpo tão perfeito
Ó Grand Canyon, mas que vista proporciona
Não faço a mínima ideia de quem é o sujeito
Sigo andando onde meu nariz posiciona.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Caso perdido?


Pirou. Pobre jovem esquizofrênico
Alienado. Fugindo de quem nunca existiu
Albino alto, porém, anêmico
Alucinógeno de quem te serviu
Química barata que entra na mente
Está cravada a estaca da perdição
Menino novo com destino de delinqüente
O olhar julgador de toda uma nação
Somos todos iguais em formatos diferentes
Procuro a salvação de quem não quer ser salvo
Talvez se não fossem tão divergentes
A lança, afinal, busca o mesmo alvo
Por que não ensinar o caminho?
Não acredito em causa perdida
Todos precisam de preocupação e carinho
Dê um pouco mais de valor na vida.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Apenas um sonho


Alegria de um garoto alegre de meia idade
Com amigos imaginários e algumas alucinações
Não me preocupo muito com minha identidade
Sou uma criança num parque de diversões
Vejo duendes com seus batuques artesanais
O milho pulando e estourando a pipoca
Todas as pessoas de outro mundo são banais
Venha viver comigo em minha humilde oca
Mesmo com os olhos pesados você não vai dormir
Eles estão vermelhos, mas não vão arder
O pré-requisito é apenas sentir
É como se estivesse prestes a nascer
Vivemos num mundo que construímos
Descemos as maiores e mais assustadoras cachoeiras
O nosso trem segue apenas nossos trilhos
Fagulhas fazem então arder às maiores fogueiras.

Não posso conviver com o fim


Você pode sentir meus batimentos?
Se eu gritar bem alto você vai me ouvir?
Não sei como expressar todos esses sentimentos
Meus olhos não querem ver você partir
Eu não posso e nem quero largar sua mão
Mas sinto seus dedos escorregarem por entre os meus
Sinto quebrar o laço inquebrável. Qual é a sensação?
Mesmo em passos longos não consigo alcançar os seus
É como apagar a luz e caminhar no escuro
Eu não quero cair pra não me machucar
É preciso unir forças pra derrubar esse muro
Eu só quero ser um guerreiro pra poder lutar
A alma está saindo do meu corpo
De longe posso enxergar ela alçando vôo
Mas de quem é esse espírito de porco?
O corpo padece e eu sinto enjôo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fim do diálogo


Caminho em passos curtos até o meu destino
De longe posso contar degrau por degrau
Engulo o choro diferente de um menino
Todos os versos tornam-se algo banal
A luz do sol reflete nas gotas cristalinas
Piso e escuto o ranger da madeira molhada
Um grito agonizante por água abaixo das latrinas
Desliguei o coração na sua última chamada
A corda parece um tanto quão pesada
Também pudera depois da chuva que caiu
Não estou conseguindo completar minha jornada
Mesmo escadas abaixo podem ver quem surgiu
Demorou sim, mas no topo agora estou
Podem afrouxar um pouco essa corda?
Da cabeça ao pescoço o nó escorregou
Meu último desejo seria uma colherada de açorda
Um diálogo com quem conheço melhor do que ninguém
A melhor e mais longa conversa em que participei
Mesmo assim tenho dúvidas de quem é esse alguém
O som do pescoço quebrando eu não escutei.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Saudosa raiz.


Mas que sorriso tão radiante, talvez até empolgante
Lembra-me as melhores lembranças que estão frescas
Não é apenas um guia do mochileiro viajante
Como eu gosto de todas essas frescuras carnavalescas
Não tenho a menor idéia de quando voltar
Apesar de o coração não arredar o pé
A alma e a mente estão a rodar
Um trago forte e mais um gole de café
Sete quedas de pura ousadia e alegria
Faço a mente pra que lá empaque
Guarde um pouco dessa magia
Mas como vou sentir falta desse sotaque.